Carne
O novo trabalho da Kiwi sobre opressão de gênero.
"Para os homens, o público e o político, seu santuário. Para as mulheres, o privado e seu coração, a casa." (Michelle Perrot)
Duas mulheres em cena apresentam estatísticas, cantam, representam pequenas cenas, mostram bonecas infantis, pintam-se obsessivamente, além disso, imagens publicitárias, entre outras, são projetadas numa grande tela, tudo para revelar a profunda desigualdade entre os sexos que se manifesta nos espaços público e privado. Este é o novo projeto da Kiwi Companhia de Teatro, que tem no currículo os espetáculos Tudo o que você sabe está errado, Carta aberta, Teatro/mercadoria (apresentado somente no Rio de Janeiro) e Fragmento b3, entre outros.
Inspirando-se na autora austríaca Elfriede Jelinek, prêmio Nobel de literatura em 2004, Carne discute as relações profundas entre patriarcado e capitalismo, mostrando, através de procedimentos épicos, ou "pós-dramáticos" (segundo a expressão de Hans-Thies Lehmann), o panorama da opressão de gênero e a situação específica da violência contra as mulheres no Brasil.
O projeto Carne, que além do espetáculo inclui uma série de debates e oficinas abordando temas como o feminismo, o marxismo, o patriarcado e as configurações do teatro contemporâneo, inaugura um novo momento da Companhia, marcado por parcerias com organizações não-governamentais. Esta nova situação ancora ainda mais o trabalho do grupo na realidade social do país, ampliando a interlocução com públicos normalmente distantes do teatro e tratando temas dificilmente levados à cena.
O roteiro e a direção do espetáculo são do diretor e pesquisador teatral Fernando Kinas. Em cena estão a atriz Fernanda Azevedo e a atriz e escritora Márcia Bechara.
Ficha técnica
Roteiro e direção Fernando Kinas
Assist. de direção Fabio Salvatti
Figurino Maitê Chasseraux
Produção Fernanda Azevedo e César Guirao
Realização Kiwi Companhia de Teatro/Cooperativa Paulista de Teatro
Duração 110 minutos (sem intervalo)
